Pega-se num pedaço de realidade, recorta-se em pequenos pedaços, e o que fica é outra realidade. Que não deixa de ser a mesma. Perspectivas. Impressões. Eu olho para onde mais ninguém está a olhar nesse momento, e recorto esse pedaço para mim.
Acrescenta-se uma atitude encantada, ou desencantada, conforme os ditames da filosofia vigente. Plagia-se sentimento.
No que já foi vida, e agora é apenas toque, acrescenta-se cor. Azul, da cor dos sonhos, e negro da cor do desencanto.
Um Revolucionário coloca a língua de fora, mas fica escondida num limiar a que a vista não tem acesso. Foi enclausurado numa realidade que não controla, que não domina. A sua imagem, que nunca viu transformada em ícone, é refém da minha vontade.
As camadas sobre camadas do que se vê sobre o que existe.




